Oração
Atirem pedras!
Atirem!
Não às Madalenas de suas crenças, mas àquela, cadela que renega suas crenças e, despida de qualquer crença, se professa ateia...
Diante da multidão com pedras na mão, num ato de covardia, rebeldia talvez, sucumbe e vem, ajoelhada com as mãos sujas do sangue que sendo seu corria dantes noutro corpo que acarinhava, agradecer a deus!
Agradeço a deus sobretudo a companhia nos momentos difíceis,
agradeço por ter ouvido as preces de todos os amigos que distantes da pedra que eu levantava, não me deram a mão, mas como fruto de uma amizade sincera, oraram...
Agradeço a deus por ter me dado o conforto, esta sensação de não estar só, quando, na ausência dos amigos que oravam pedindo o meu socorro, compareceu e se fez presente...
Presente de amigos que me amam e não vieram, mas em oração pediram e doaram o melhor de si...
Pediram que uma força sobrenatural estivesse comigo e fosse as mãos e olhares que não me deram...
Quem tem deus não precisa de amigos e talvez por isso eles não vieram...
Agradeço a força, a superação,
agradeço a esperança e confiança interna de que tudo vai dar certo...
Agradeço a deus, sobretudo por me fazer ver, entender, sentir... que se eu negar sua existência, será o mesmo que me despir de amigos que já não tinha, negar uma existência coletiva...
Agradeço o me fazer só, ter de engolir o choro calado, e resistir; levantar a cabeça , cerrar os punhos, urrar até, e resolver tudo com minhas próprias forças...
Agradeço a deus a companhia solidária encomendada por tantos amigos...
Agradeço a deus! E aos amigos, sobretudo a certeza dos que não são!
Agradeço enfim a com/ciência desta oração...
Foto de Jan Saudek
AMOR FELIZ
Há 7 anos



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